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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Bandolins

Acendo um cigarro, coloco Bandolins para tocar em looping. Um pequeno ritual. É segunda-feira. O peito dói por êne motivos, depois dos quatro dias chamados de santos e tantas mas tantas aprendizagens, me tirados assim, por ser segunda-feira. Têm tanta informação para ser processada. Como é bonito a entrega.
Deixar levar, deixar viver, deixar acontecer. Deixar que seja bom, deixar que seja ruim. Deixar ser como será.
O cérebro há de avançar e ser mais fiel ao seu dono. Depender das lembranças e do bom julgamento, depender da razão, depender das emoções, é com C de Cinema, C de Culhões e de Coração e de Cabeça que se caminha. Conserva o que há de construtivo.
Não gosto de nada que tem fim. Quero assinar contrato de eterno (como o som daquela àgua correndo) com tudo que seja intenso. Seja os sorrisos desses meninos e a felicidade do botequim. Vamos fechar os olhos e mandar ver, vamos pisotear nossos julgamentos quase sempre errados e vamos.
Vamos que o mundo não deixa de surpreender, mesmo que a solidão seja palpável e real, vamos acreditar que somos juntos e que ainda temos muitos mundos para descobrir.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

I know a room full of musical tunes.
Some rhyme, some ching.
Most of them are clockwork.
Let's go into the other room
And make them work.

domingo, 1 de agosto de 2010

What have we found?
The same old fears
-Sabe do que eu tenho medo?
-Hum?!
-...
-oi?
-...
 

 ...
 


-Eu te contei um monte de coisa, me sinto vulnerável.O que você pensa?
-Eu tenho o mesmo medo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sobre-Potência.


Sentada nas alturas da montanha de São Thomé, uns tempos atrás, pensava no potencial daquela imensidão. Um monte de nada, onde se encontra vida, zilhões de àrvores, zilhões de insetos. Eu, sobre a montanha, e dentro de mim o nada também cheio de vida. Poder correr por todos aqueles campos, explorar todas aquelas áreas, a grandeza que se sente, o poder está em todos os cantos, igual à todos.
Ambições à parte, poder sentir é o melhor de todos os sentimentos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobre tudo aquilo que não quero lembrar ou "Shine on you, Crazy Diamond"

Porque já cansei de lembrar, cansei de esquecer. Não quero saber dos dias, quentes ou frios, não quero saber se foi bom ou não, não quero saber se acabou ou não. Quero uma pausa, um longo confortably numb. Quero nunca mais precisar saber, nunca querer entender.
E se você cruzar comigo por acaso, não me pergunte, não vamos falar disso não. O que foi morto, há de permanecer enterrado, com todo o peso que se carrega com tanta terra jogada por cima. Permanecerá mudo e sutilmente, ocupará aquele pequeno espaço que lhe restou, num canto esquecido e empoeirado, um arquivo qualquer entre tantos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Fuga n° II

O pequeno deleite de cada fase, precisa de uma lembrança.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Junho, vigésimo primeiro.


Ela olhou profundamente dentro dos meus olhos e não disse nada, mas eu entendi. Eu estava confuso com aquela situação, queria explicar que não sabia o que fazer, mas ela não entenderia, não queria entender, ela queria do jeito dela, como sempre. Queria dizer para ela que ia ficar tudo bem, que era fase, coisa passageira, mas não conseguia gaguejar nenhuma palavra, e foi quando ela começou a chorar, e vi na minha frente uma criança, fui partindo para o desespero, vi que era uma criança também, que chora quando a mãe chora, sem entender muito porquê, coisas bonitas da vida.
Disse para ela esquecer, e ela me fitou pausadamente, vi toda a cólera no rosto dela, e senti a culpa que ela queria que eu sentisse. Eu só não sei o que fazer, querida, você sabe que eu nunca fui bom com isso, eu queria dizer, mas ia ficando cada vez mais incômodo. Ela me disse: Por favor, tira esse azedume do meu peito, e com respeito trate minha dor. E eu pensei porque ela parafraseia tanto, porque não consegue usar suas próprias palavras, senti que ela não queria se livrar daquilo e sim que eu a livrasse de tal, e não segurei, disse: Não posso fazer nada, foi quando algo mudou na expressão dela, eu sorri de desespero, vi a esperança das lágrimas dela escorrendo, bochecha por bochecha, lágrima por lágrima. Leva esse sorriso falso embora, ou fale agora que entendes meu penar, Não querida, não há o que fazer.Eu não sei o que fazer, por favor, por favor, vamos ficar bem, esquece isso, não força a situação, deixa pra lá, let it go, Não quero, não sei, vamos discutir, vamos ver no que dá, não gosto do abandono, não sei desistir, dai-me  outro viés de ilusão, pois meu sorriso tu não compras mais com o teu olhar. Você não entende, estou bem, quem não está é você, é só você esquecer e bola pra frente, para de bater na mesma tecla, para de ser burra, você está sendo burra. Não me cobre inteligência, não me cobre racionalidade, gosto de ser humano, gosto de sentir. Mas então eu exliquei: Então, a usura que um dia sufocou minha alegria,
há de ser o que morreu.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Foi e não exitou, como sempre. Agiu por impulso mesmo, o risco, o imperativo: Vai lá!
Por que não?
Uma pena que, apesar de ser assim desde sempre, continua sendo novidade para tantos.
Todos pasmando, incrédulos, como se fosse uma novidade inacreditável.
E mais uma vez, saiu imponente, inabalável, e a negação da verdade oscilando, de um rosto para o outro, rostos abobalhados.

Mas foi assim que foi, e vai continuar sendo enquanto ninguém impedir.
Talvez ninguém queira, talvez eles gostem dessa situação de se fingirem de inocentes.


[eu quis contar uma coisa, mas acho que não consegui .-. - de novo]

quinta-feira, 18 de março de 2010

Seven Seas

You must understand, it’s easy, but is not that easy.

900.

Ler, corrigir, rever, agradar, estar sempre de bom humor, estar sempre disposta, estar sempre ali e saber de tudo. It’s easy, but it’s not that easy.

Dá algumas dores musculares, e arranha a garganta. But I like it.

600.

Acoradar sempre atrasada, e lavar, cozinhar, arrumar, limpar, deixar tudo em ordem. It’s easy, but it’s not that easy.

E tudo isso para bagunçar de novo. But I like it.

400.

Lembrar de você, sentir sua falta, fugir de tudo para ficar com você. It’s easy, but it’s not that easy.

É desengonçado, e perigoso, but I like it.

300.

Sair, beber, esvair, ouvir, falar, compartilhar. It’s easy, but it’s not that easy.

Tanto desentendimento, tanta desordem. But I like it.

200.

There’s a secret one. It’s easy, but it’s not that easy. But I like it.


150.

Ser paciente, te ouvir, te obedecer. It’s easy, but it’s not that easy.

Eu falho quase sempre. But I like it.

Planejar, sonhar, sonhar, sonhar. E sonhar. It’s easy, but it’s not that easy.

E eu não me canso, por mais cansativo que seja. I really like it.

-170.

You must understand. It’s easy, but it’s not that easy.

terça-feira, 9 de março de 2010

Vulnéravel

Eu era tanta coisa.
E sobrou tão pouco. Sobrou tanto pouco, pouco saliente,pouco transbordando. E de tanto transbordar, de tudo, quase que não sobrou nada.

Talvez uma mémoria em um momento de fraqueza, talvez um reconhecimento inválido, uma esperança ansiosa, mas morta.
Tem vezes que a gente prefere o excesso, escolhe a sobra. E descobre no final, quando ele chega, que transbordar foi um erro, foi um suícidio. Foi besteira, foi em vão.

E a música ambiente, na padaria, que você nunca ouviu te faz lembrar de coisas que nunca existiram, e é claro, dói.
"Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Little things I should have said and done
I just never took the time"

A dor do que nunca existiu é a que mais deixa feridas. Mas as distrações rumo ao esquecimento estão vindo, e caso você não as interrompa (e este espaço para você está tão aberto, está gritando o seu nome e implorando de joelhos para que você mude isso, um pouco só de atitude) assim vai ser. E, se assim que quer, assim será.

Eu vou, pra não voltar.


"I have a photograph
Preserve your memories, they're all that's left you"

sábado, 30 de janeiro de 2010

She.

Ela acorda todos os dias como você acorda, com pressa, com fome.
As vezes acorda feliz. Outras não.
Ela se esforça dia após dia para sempre conseguir o melhor, quase sempre para ela. De vez em quando, não. E as vezes se arrepende dessas vezes. OUtras não.
Ela lê atrás de algo, como você ensinou. Ela não sabe o quê, mas não cansa de procurar.
Não cansa, não pode se cansar de procurar.
Ela espera sempre o melhor das pessoas para as quais ela deseja o melhor. Quase nunca acontece, porém.
Ela sozinha, é melhor do que com você. Mas ela só quer você, o tempo todo.
Ela se pergunta por quê? E a resposta ela encontra na pergunta.
Quando ela se sente perdida, chove garoa, o céu fica cinza claro.
Mas ela gosta mais das tempestades.
Ela tem esperança no coração. Deseja justiça, deseja paz. E isso é tão vulnerável nela que ela se esquece o tempo todo.
Ela aprende coisas milhares de vezes por dia. As que ela não usa, ela esquece, e as que ela se machucou para aprender, ela nunca vai esquecer.
Ela comprou algumas coisas interessantes, só não sabe para o quê elas servem.
Ela se orgulha da racionalidade, e tem vergonha da emoção.
Ela costuma se distrair com as flores que passam, e isso gera muitos frutos para ela.
Ela se envergonha de muita coisa que fez, mas vai esquecer da vergonha, e vai repetir.
Ela vê as coisas indo e vindo, e se irrita profundamente com isso.
Se ela pudesse, ela te seguraria firme e diria o que você deve fazer. Mas ela não pode.
Ela defende coisas que ela não põe em prática e pratica coisas que ela não defende.
Ela esquece tudo e começa de novo todos os dias.
Ela vê beleza onde não tem, feiura no que tem preconceito.
Ela não tem controle.
Ela se reparte várias vezes.
Ela muda de opinião conforme o que é melhor para ela, como você disse. Ela assume essa verdade.
As vezes, não quer verdade. As vezes quer. E quando você não quer contar, dói. E as vezes ela chora, outras não.
Ela te escreveu uma carta e você não respondeu.
Ela queria que tudo desse certo, e não deu.
Ela pensou de um jeito, e era de outro. Tudo bem, é só continuar.
Algumas questões viram desafio. E ela perde o controle mais uma vez. As vezes isso faz ela sangrar. Outras faz ela desistir.
Sente muito prazer o tempo todo. Assim como você, é isso no fim das contas que importa. Independentemente de como conseguir. E ela não pensa assim.
Ela tem muitas coisas pra te dizer, e acaba dizendo coisas que não quer.
Ela gosta da solidão, mas luta contra. Ela não quer ser aquela estranha que anda sozinha, e sim ser do grupo que aponto e classifical tal.
Ela pensa sobre a angústia e sobre a tristeza. Da alegria e da felicidade ela só se preocupa em sentir.
Ela já atingiu coisas grandes, mas não soube como utilizá-las.
Agora, ela só se preocupa com o estômago.
Ela se deita todos os dias com a vertingem de todas as horas. Nunca se deita sozinha.
Ela sonha tudo que pode sonhar.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Sobre os nascidos quando a cortina desce


Caroline tem doze anos, três meses e um dia. Ela, desde pequena não gosta de coisas verdes (que chamam de vegetais por aí) e de coisas fritas. Ela adora comidas com aspecto gosmento, como por exemplo, polenta.
Caroline simplesmente ama polenta.
Ela gosta de ficar olhando as pessoas passando na rua em dias chuvosos, como o de hoje, do seu apartamento. Assim, tudo que ela vê quando se pendura na janela são guarda-chuvas visto de cima, dançando timidamente nos andares abaixo.
Na escola algumas professoras confundem seu nome, e ela corrige e se ofende quando isso acontece.
Agora, enquanto eu escrevo isso, ela está sentada no sofá da sua casa nada confortável, lendo uma revista sobre animais-marinhos. E enquanto fica ali, vendo as baleias brancas que pesam mais do que vinte Caroline juntas, as coisas conspiram ao seu favor.
Seu pai, no trabalho, digita letrinhas e números no cubículo onde trabalha, para poder pagar as contas da sua casa, e acaba de descobrir um jeito de ganhar um pouco mais de dinheiro no fim do mês, o que ele investirá colocando Caroline no seu tão pedido curso de desenho, que Caroline aproveitará como nenhuma outra criança de doze anos de lá e onde mais tarde conhecerá Pedro, com quem irá trocar uma maçã e de cuja maçã aflorará uma parceria por toda vida.


E nesse momento, Pedro está assistindo um documentário sobre os insetos noturnos e ficando chocado com a complexidade de coisinhas tão pequenas. Enquanto Pedro assiste o documentário, sua mãe está numa lojinha de tintas para quadros, onde foi comprar suas tintas e viu um pequeno estojo de acrílicas para crianças, e pensou no Pedro.
Penso aqui no Pedro e na Caroline e no talento que eles vão desenvolver. Enquanto isso, escrevo uma história que não sei direito como vai acabar, mas só penso no talento que insisto em desenvolver. Fico empolgada com a possibilidade de escrever algo para crianças aqui, mas isso ficaria para mais tarde, assim que tivesse certeza que um casal com um talento muito desenvolvido estivesse prontos para ilustrar uma história infantil.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Fragmento do diário de João Francisco Bernardo da Silva.


"Ontem à noite eu estava assistindo meu talk-show das 22h, domingo, claro. E foi do nada que uma tosse, mas uma tosse maldita começou a me atacar e eu 'cof, cof, cof ' pra fora. Depois de muita tosse e convencer minha mulher de que não, não tinha engasgado com a saliva ou nada parecido, ela me levou até o hospital público de Santo André onde eu descobri que eu tenho tuberculose. Disseram que eu ia ficar bem, só não disseram por quanto tempo.
Hoje é meu primeiro dia aqui. Estou dividindo o quarto com um velhinho de 76 anos, que parou de falar a alguns dias e não sabem nada do paradeiro dele. Uma mulher vem cuidar dele todo dia, mas hoje parece que a filha dela veio substituir. É uma garota de bochechas grandes, e ela tem um blusa roxa.
Eu afirmo, não há muito que se fazer em um hospital. Você acaba decorando os rebocos da parede do seu quarto e reconhece as horas pelo sol. A garotinha de roxo está agora sentada, lendo. Ela perguntou do meu paradeiro (adoro essa palavra, mas não sei muito bem o que ela significa). Disse pra ela o que aconteceu, e ela sorriu. Ela sorriu várias vezes já, acho que ela não sabe muito bem o que acontece. Todos os médicos e enfermeiros entram aqui com cara de enterro e saem com cara de enterro. Ela não.
Mas o pior foi agora pouco à tarde, quando o velhinho acordou. Ela começou a ajudar ele a dobrar as pernas e os braços e enquanto isso falou que enquanto ele dormia, ele ia pra um "Reino dos Sonhos" onde um tal de Morpheu (esse nome não me é estranho... deve ser nome de carro.) cuidava de um mundo paralelo à esse, o mundo dos sonhos! Ela disse pra ele que quando a gente dorme a gente vai viver lá. Se eu fosse o velhinho teria perguntado porque a gente não lembra dessa outra vida, e como ela tem tanta certeza assim.
Mas eu não sou. Prefiro ficar amuado aqui no meu canto, decorando os rebocos da parede (os lustres desse quarto parece que nunca foram limpos.), e eu sei que ela não teria resposta também pra minha pergunta. Só iria assustá-la, afinal, ela contou a história pra alguém que não pode falar, então não queria nenhuma pergunta.
Agora a garotinha de roxo está cantando uma música em Inglês. "