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terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobre tudo aquilo que não quero lembrar ou "Shine on you, Crazy Diamond"

Porque já cansei de lembrar, cansei de esquecer. Não quero saber dos dias, quentes ou frios, não quero saber se foi bom ou não, não quero saber se acabou ou não. Quero uma pausa, um longo confortably numb. Quero nunca mais precisar saber, nunca querer entender.
E se você cruzar comigo por acaso, não me pergunte, não vamos falar disso não. O que foi morto, há de permanecer enterrado, com todo o peso que se carrega com tanta terra jogada por cima. Permanecerá mudo e sutilmente, ocupará aquele pequeno espaço que lhe restou, num canto esquecido e empoeirado, um arquivo qualquer entre tantos.

domingo, 4 de julho de 2010

Doze horas



(pensei que este dia não podia passar em branco. Sendo a pessoa prática que eu tento ser e vendo tudo friamente, nada de mais, mas bom... eu não sou assim, né? Então, vamos à mais uma visão deturpada de um dia de domingo: )

Que delícia é acordar depois de dormir três horas, depois de ter dormido mal a semana inteira. Que delícia é acordar com um amigo para falar bom dia, comentar sobre o dia anterior, trocar uns comentários sobre nosso futuro dia. Pois bem, fiz um almoço desses bem mamãe, diga-se de passagem que adoro ter tempo para cozinhar, encaro como arte também, picar cebolas, medir o tempero... não é para qualquer um!
E bom, vamos nos arrumar, logo teremos visitas. Me arrumar também é uma arte. Antes não era, mas depois que minha mãe me bombardeou com a crise dela de “minha filha não tem roupas”, ficou bem difícil, um paradoxo que enfrento todos os dias. Pois bem, mal terminei de me vestir, estou ainda colocando os tênis quando chega o amigo distante. Saímos para conversar e tomar uma cerveja logo ali, aqui perto não dá, as pessoas achariam estranho nos ver juntos, vamos para um lugar menos óbvio. Vamos conversar, fala sobre nada, falar sobre músicas que é o meu assunto preferido contigo, vamos ser mais diretos.
            Adoro ser direta.
Logo que me despedi do amigo distante, liguei para a amiga distante, e passamos uma hora inteira dando risada e falando besteiras, como se só estivéssemos dois fins de semana sem botar o assunto em dia. Estas coisas me fazem sentir que é de verdade.
E assim que desligo com ela, meu celular toca, oba, vamos ao teatro, vamos ver o pessoal do trabalho.
Mais uma vez aquele processo de me vestir, e assim que termino, alguém estaciona do lado de fora de casa, mais uma assombração, perdoe por te chamar assim, mas foi algo assim. Tal assombração fica comigo por uns quinze minutos, e foi uma avalanche, uma porção de tapas na cara, vomitou várias verdades e se foi. Era para eu ter te encontrado depois do teatro, mas me perdoe, não deu.
E eis que chego no teatro atrasada. A peça já havia acontecido, mas o que valeu foi a intenção. Olhei para a cara do professor adorado, e ele não pensou duas vezes: agora a gente vai beber em casa! Adoro este sujeito, prático e direto!
E lá fomos nós, conversamos sobre as bizarrices que nos envolvem, fizemos planos para o futuro, bebemos um vinho e comi sua deliciosa torta, descobri mais dois que adoram pizza de atum, e me deixou feliz.
Vou para casa, antes que não tenha mais ônibus, e quando sento no ônibus, vem aquela pequena avalanche de pensamentos...: Mas que dia!
Sentei aqui na cadeira do computador, peguei um cigarro e pensei: Não foi um dia qualquer, foi um daqueles dias que merecem ser lembrados. Pessoas que amo envolvidas, numa oportunidade única, em um dia só. Como já diz um filme, poucos serão os dias que vamos nos lembrar. A maioria são dias rotineiros, que acabam, e ficam por isso mesmo. Mas hoje, hoje eu quero levar comigo para sempre, sempre poder sentar numa cadeira confortável, fumar um cigarro e pensar...: Que dia!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Junho, vigésimo primeiro.


Ela olhou profundamente dentro dos meus olhos e não disse nada, mas eu entendi. Eu estava confuso com aquela situação, queria explicar que não sabia o que fazer, mas ela não entenderia, não queria entender, ela queria do jeito dela, como sempre. Queria dizer para ela que ia ficar tudo bem, que era fase, coisa passageira, mas não conseguia gaguejar nenhuma palavra, e foi quando ela começou a chorar, e vi na minha frente uma criança, fui partindo para o desespero, vi que era uma criança também, que chora quando a mãe chora, sem entender muito porquê, coisas bonitas da vida.
Disse para ela esquecer, e ela me fitou pausadamente, vi toda a cólera no rosto dela, e senti a culpa que ela queria que eu sentisse. Eu só não sei o que fazer, querida, você sabe que eu nunca fui bom com isso, eu queria dizer, mas ia ficando cada vez mais incômodo. Ela me disse: Por favor, tira esse azedume do meu peito, e com respeito trate minha dor. E eu pensei porque ela parafraseia tanto, porque não consegue usar suas próprias palavras, senti que ela não queria se livrar daquilo e sim que eu a livrasse de tal, e não segurei, disse: Não posso fazer nada, foi quando algo mudou na expressão dela, eu sorri de desespero, vi a esperança das lágrimas dela escorrendo, bochecha por bochecha, lágrima por lágrima. Leva esse sorriso falso embora, ou fale agora que entendes meu penar, Não querida, não há o que fazer.Eu não sei o que fazer, por favor, por favor, vamos ficar bem, esquece isso, não força a situação, deixa pra lá, let it go, Não quero, não sei, vamos discutir, vamos ver no que dá, não gosto do abandono, não sei desistir, dai-me  outro viés de ilusão, pois meu sorriso tu não compras mais com o teu olhar. Você não entende, estou bem, quem não está é você, é só você esquecer e bola pra frente, para de bater na mesma tecla, para de ser burra, você está sendo burra. Não me cobre inteligência, não me cobre racionalidade, gosto de ser humano, gosto de sentir. Mas então eu exliquei: Então, a usura que um dia sufocou minha alegria,
há de ser o que morreu.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

É,

Eu nunca mais tomei leite com mel.

domingo, 9 de maio de 2010

Prudence

Naquela sala branca e quadrada, com apenas aquelas duas cadeiras ela se sentou na minha frente e começou a falar e falar. Não perguntei, mas ela deu todas as respostas, e não foi de tanto falar, vi no rosto, nos olhos, nas mãos, no jeito. Vi e senti a culpa, culpa o tempo todo, culpa pela garganta arranhada, culpa pelo excesso de descaso, culpa pelo desamor. As molduras que ela escolheu não serviram para a figura que pintou, ''não encaixa'', ''não tem problema, a gente refaz'', ''não quero refazer, quero desfazer''.
Costuras expostas, não, temos que coser por dentro, eu posso te ajudar, mas quero ver se pode fazer sozinha, vou te vigiar.
Olha no meu olho agora. Cruza as pernas, estrala os dedos, se livra da Macabea, a festa é aqui na sala, não é lá, a festa está aqui, olha aqui, presta atenção, estou do seu lado, só quero ver você tocar essa marcha sua, só sua, canta para todo mundo ouvir, pode se expor, estremece esse corpo, só tem a gente aqui, só tem eu e você, ninguém mais importa, eu quero que ouça, esquece todo o resto.
Sim. Sim.
O erro não foi importante, são duas almas e a sala dançante, só deixa acontecer, deixa fluir, não interrompe o fluxo, vai, ganha essa aposta. Bárbara, nunca é tarde, nunca é demais.
Eu sou tão forte como você, eu consigo e você também.
Olheiras de cansaço são só características dessa máscara que escolhi. Gostou?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Neoplasia

Tanta bagunça nos meus arquivos que já não lembro mais quando disse e como disse. Se disse. Confusão de sensações, confusão de línguas, não lembro mais quais os parâmetros que escolhi para certo e errado.
Não consigo ser essa pessoa que padroniza, que constantiza, que segue em linha reta, vou e volto no mesmo passo várias vezes sem saber onde vai dar, sabendo.
Não deveria ser assim, sempre soube, devo gostar da sensação de erro.

E não vou parar. Até a hora que não der mais, vai continuar assim. Até que o super herói venha e conte como deve ser feito, passo por passo, mesmo que cego. Enquanto isso, vou continuar com o meu ritual, essa dança sem adjetivo, uma invocação para não sei o quê, não quero saber.

Sei de tudo o que ele vai falar, o super herói. Sei como ele é e quando vai chegar. E finjo não saber, para ter a perdição.

As flores vão se acabando, e duram mais quando estão secas. Só não duram para sempre, porque nada dura.

Enquanto isso, vou deixar crescer, para todo mundo ver, para todo mundo ter algo para se horrorizar. Para falar da tragédia, que é o que eles gostam.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sujeito do ônibus

Tem um sujeito que entra no ônibus que eu pego, sempre. Não importa a linha, se ele escolhe aleatoriamente é incrível a capacidade de essa aleatoriedade ser...o ônibus onde estou. Pois bem.
Ele sempre entra vendendo Moranguetes. Três por um real. Conta dos dois filhos dele, do desemprego, dos armários vazios da casa dele e da vontade dele de sair do ônibus e passar no mercado para enchê-los. Acredito nele. Ele tem uma cara de dó e sempre está mal vestido. Nunca comprei Moranguetes dele, porém. É que, Moranguetes... já passei dessa fase.
Bom, ele pega ônibus comigo desde o ano passado. Mas dias dessses, eu estava mais no fundo, e ele enconstou em uma das barras e suspirou:

-Tá difícil hoje, hein...

Foi para ele mesmo, não foi para mim não. Aí ele desceu e deve ter entrado em outro ônibus. Sim, o suspiro dele me deixou pensando nele até o fim da viagem, até chegar aqui e escrever aqui. Mas é uma matemática simples: esses Moranguetes rendem um bom dinheiro para ele! Pô, o cara deve ter 40 anos no máximo! E tem uma lábia, puxa vida! Porque, ele pode estar sendo sincero, certo, mas o que ele fala é marketing! Se ele usa a vida pessoal dele para tal coisa, bom... e sim, acredito que existam pessoas na mesma condição que a dele, mas com um emprego mais... fixo, mais registrado. Não é tão díficil assim conseguir um emprego. Um bom, é, mas um emprego não.

A conclusão é que esses sujeitos de trem, de ônibus, eles estão ali porque querem! Porque gera um dinheiro razoável e... é assim, ele vende o produto dele, mas não me apetece. Se ele vendesse algo que me interessasse, eu compraria. Não sou contra eles, mas por trás de todos os cargos de emprego do universo, tem alguém com uma história, e boa parte delas, triste também. A diferença é só que eles não usam isso para gerar mais lucros.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Tomo #3

Virá, assim que eu conseguir um pouco mais que vinte minutos para o Blog.