terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O mundo é mesmo um moinho.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Biological

Caminhavam sem pressa pelo Jardim. Sábado abafado, atmosfera abafada. Ela se distraía com as plantas, as raizes, os detalhes dos troncos das árvores, as cores de um inseto com vida curta. Ele, somente ele próprio sabe sobre o que pensava. Mirando suas duras expressões só sabíamos que não estava ali, estava ali de corpo, mas logo víamos que viajava por suas próprias galáxias, seus próprios planetas infindáveis de questionamento e de falta de paz.
Caminhavam em silêncio. Quem visse de longe, logo acharia bonito. Quem visse de dentro, veria solidão conjunta.

-É um jogo pra você, né?
-Oi?!
-Tudo isso, é um jogo pra você. É por isso que você não se importa tanto. Como se tudo dependesse da sorte. Um ganhador, o resto, Game Over. Mas isso é vida. Game Over não é um simples "Ok, agora vamos assistir um filme, esse jogo era chato mesmo."
- Não penso assim e você sabe que eu não penso assim. Só não gosto de sofrer, como qualquer outra pessoa, e me desprendo fácil, pra não ter problemas. Você deveria relaxar um pouco.
-Eu estou relaxado.
-Queria mesmo que tudo fosse um jogo. Que deixar o jogo pela metade não tivesse tantas consequencias. Mas largar o jogo no meio é motivo para ser um daqueles que "não sabem perder". Bom, até que poderíamos então encarar as coisas como um jogo, com a condição de que no fim, não houvesse ganhadores nem perdedores.
-Então, é isso que você pensa da vida?
-...Acho que é isso, sim.

Sorriram. Ele olhava para as copas das árvores, agora que estavam deitados em um canto, devo dizer, delicioso do Jardim. Se distraía com a luz do sol penetrando através de cada folha das àrvores, chegando ao chão com força. O céu, azul e sem nuvens. Ela, também olhava fixo para a copa das árvores, mas um olhar perdido, de quem está em outro planeta.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Que me perguntaram por onde andam...

Descobrindo por aí.
Ando descobrindo por aí.
Simples assim.
Crise de identidade? Não não. Muito juvenil, né? Pode até ser busca por identidade, fica mais pomposo, meio artístico.
Eu não devo explicações, mas quero contar para vocês: ando por aí vendo quale-que-é, onde cada buraco pode me levar, desafiando superfícies e tentando profundezas de mim mesma.
Sinto falta de nossas festas diárias, não posso negar. Do descontrair nosso de cada dia. Mas esse foquismo me caiu bem, estou gostando. Sei que estou com vocês, mesmo não estando. Conto com isso. Conto com o amor incondicional. Com a paciência também. Nada mudou entre a gente. O que está mudando é dentro de mim, logo conto.
Existe algo muito belo em se viver. Se soubesse explicar...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Magia um

Os lugares imaginários invadiram toda a sua realidade - não era insanidade, não, não, não!Passou tanto tempo dentro de si mesma que o exterior definhou, foi diluindo até se desfazer. Agora saltita por aí. Canta ao comprar pãezinhos como se estivesse em um musical antigo. Os rabiscos da folha sulfite tomaram lugar no reboque da parede. Ela sonha enquanto dorme, mas mal percebe que não deixou de sonhar em momento algum.

Bom, ela levantou-se um dia, e o céu era daquela cor creme roseado, sabor sorvete de vanilla, textura algodão doce. Enquanto escovava os dentes e mirava-se no espelho (gostava de ver a alma através do olho) pensava que precisava de uma nova idéia- é, alguma coisa nova! Alguma coisa que a envolvesse nos braços e cuidasse dela, alguma idéia para compartilhar mais idéias, alguma idéia assim como ela. Onde conseguiria uma dessas?! Continuou pensando até que a pasta de dente começasse a machucar a boca e se desfez da espuma, já pensando no seu próximo destino: iria até o topo de um prédio. Nenhum lugal melhor para adquirir novas idéias.

Pois subiu ao topo do maior prédio das redondezas, deixando os pés suspensos e esperou. Bem na sua frente, tinha um outro prédio. Na janela à altura do seu campo de visão, podia observar balões coloridos e transparentes - festa de aniversário! E ficou distraída (porque não era muito concentrada. Os bolões chamaram tanta atenção que já se esquecia do porquê estava ali), vendo os transeuntes passarem pela janela, animados e falantes, carregando copos descartáveis coloridos quando sentiu uma cutucada por trás dos ombros. Um rosto sorriu para ela e sentou-se ao seu lado. Ela até ficou confusa por um momento, não sabia se conhecia já o sujeito, era familiar aquele rosto, mas não sabia nome, não sabia endereço ou número de telefone. Ficou encarando ele para tentar lembrar, e viu que ele também se distraiu com a festa. Conversaram sobre os balões e sobre os transeuntes. Ela não se lembrou dele, mas já tinha esquecido que não se conheciam.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

...E que tudo mais vá pro inferno!

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Bandolins

Acendo um cigarro, coloco Bandolins para tocar em looping. Um pequeno ritual. É segunda-feira. O peito dói por êne motivos, depois dos quatro dias chamados de santos e tantas mas tantas aprendizagens, me tirados assim, por ser segunda-feira. Têm tanta informação para ser processada. Como é bonito a entrega.
Deixar levar, deixar viver, deixar acontecer. Deixar que seja bom, deixar que seja ruim. Deixar ser como será.
O cérebro há de avançar e ser mais fiel ao seu dono. Depender das lembranças e do bom julgamento, depender da razão, depender das emoções, é com C de Cinema, C de Culhões e de Coração e de Cabeça que se caminha. Conserva o que há de construtivo.
Não gosto de nada que tem fim. Quero assinar contrato de eterno (como o som daquela àgua correndo) com tudo que seja intenso. Seja os sorrisos desses meninos e a felicidade do botequim. Vamos fechar os olhos e mandar ver, vamos pisotear nossos julgamentos quase sempre errados e vamos.
Vamos que o mundo não deixa de surpreender, mesmo que a solidão seja palpável e real, vamos acreditar que somos juntos e que ainda temos muitos mundos para descobrir.